Roma

Roma fala de tragédias. Hein?

Pois é. Gosto muito de uma pequena história: o gato fez cocô no tapete.

Só isso. Observem, não há conflito. E a essência de um texto, de um conto ou de um filme, é, em suma, o conflito. Isso não quer dizer de maneira alguma que precisamos de pessoas explodindo ou carros capotando. Longe disso.

Voltamos a minha pequena história, com um pequeno complemento: o gato fez cocô no tapete do cachorro. 

Bingo. Aí está ele, o senhor “conflito”.

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Pois Roma leva os 75 minutos para revelar que o tapete era do cachorro. E mesmo assim é ótimo.

Claro, esse tempo não foi à toa. Serviu para uma meticulosa e providencial preparação – a própria vida no seu dia a dia – para o que vinha depois: a vida. No seu dia a dia. E aí estão as tragédias.

Nós…

Algumas pequenas, outras enormes, algumas bobas, outras burras, mas, enfim, todas trágicas o suficiente para nos mostrar que, desculpem o termo, somos uns merdas. Nada além disso. Somos egoístas, medíocres, sem caráter e basicamente a única coisa que temos somos nós mesmos. Caraco!

Mas esse é o lado bom. Nós mesmos, os merdas, podemos deixar tudo menos pior e – ai ai ai – sermos felizes. É um contrassenso, sei disso, mas nossas vidas não são verdadeiras odes à insensatez? Então…

Para não deixar de lado minha chatice, ressalto que a técnica muito usada pelo excelente novo cinema mexicano, principalmente pelo Alejandro González Iñárritu, de deslocar a câmera lentamente deixando a cena fluir por conta própria e quase à parte da tomada, foi usada em demasia. Quase cansou. Isso que gosto dela.

Enfim, vejam.

Está no Netflix.

 


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